'Se der medo, vai com medo mesmo': mulheres desafiam preconceitos em posições de poder e profissões historicamente masculinas no RS

  • 08/03/2026
(Foto: Reprodução)
Mulheres desafiam preconceitos em posições de poder e profissões historicamente masculinas Cada vez mais mulheres ocupam espaços em profissões que, durante muito tempo, foram dominadas por homens. No Rio Grande do Sul, mulheres que atuam nessas profissões relatam desafios e superação para conquistar espaço no mercado de trabalho, e ainda ajudam a transformar a cultura de seus ambientes profissionais. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A coordenadora de obras Regina de Moura Tavares, que trabalha há cerca de duas décadas na construção civil, precisou ser firme para impor respeito. Ela conta que, ao longo da carreira, lidou com homens que não aceitavam receber ordens de uma mulher. Em uma ocasião, Regina tomou uma decisão que marcou sua trajetória. "Eu peguei o capacete, o boné e mandei toda a equipe embora. Se vocês não têm capacidade de respeitar uma mulher, então vocês não respeitam nem a própria mulher de vocês, que também são mães e trabalhadoras. Eu demiti todos", conta. Segundo a coordenadora, a atitude foi um divisor de águas. "A partir dali eles começaram a me respeitar", afirma. Hoje, ela diz que a persistência foi fundamental para seguir na profissão. "Tem que ter muita coragem, persistência, força de vontade e não ter medo." Quando Regina começou, o cenário era ainda mais restrito. "A mulher não tinha muito contato com ferramentas, com enxada, com colher de pedreiro, com tintas. Era um mundo muito masculino", lembra. Além das dificuldades na obra, ela conciliava o trabalho com a maternidade. "Não foi fácil. Como mulher, como mãe, eu tinha filhos pequenos. Eu largava meus filhos no colégio e vinha para as obras. Eu puxava tijolo, mexia em betoneira, máquinas pesadas", relata. A coordenadora de obras Regina de Moura Tavares, que trabalha há cerca de duas décadas na construção civil, precisou ser firme para impor respeito Reprodução/RBS TV Preconceito ainda aparece em outras profissões A motorista de ônibus Cristiane Silva Cardoso, que transporta passageiros há mais de dez anos em Cachoeirinha, também relata ter enfrentado desconfiança. "No começo tu sente um pouco de preconceito. As pessoas duvidam que tu vá conseguir dirigir um ônibus", diz. Apesar dos desafios, ela se diz realizada com a escolha que fez. "É uma profissão que eu gosto. Eu sempre falo: eu faço o que eu gosto." Para Cristiane, a jornada feminina exige mais determinação. "A mulher tem que ter um pouco mais de persistência do que o homem porque tem mais desafio. Mas não é impossível." A presença de mulheres também cresce em áreas técnicas da infraestrutura. A engenheira Giuliana Ferraro, da concessionária CCR ViaSul, coordenou as obras de recuperação da ponte sobre o Rio Taquari, na BR-386, após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. O trabalho dela é garantir que os projetos sejam executados no prazo e com segurança. "O meu dia a dia é no campo mesmo", explica. Giuliana observa uma mudança no ambiente de trabalho. "Nós temos diversas colegas mulheres. Antigamente tinha um pouco de preconceito contra o sexo feminino. Hoje em dia as coisas já estão mudando, a gente é muito mais aceita." Para as mulheres que desejam seguir carreira em áreas semelhantes, Cristiane deixa um recado. "Nós mulheres temos força, somos guerreiras. É só a gente querer que a gente consegue. Se der medo, vai com medo mesmo." Mulheres desafiam preconceitos em posições de poder e profissões majoritariamente masculinas no RS Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/08/se-der-medo-vai-com-medo-mesmo-mulheres-desafiam-preconceitos-em-posicoes-de-poder-e-profissoes-historicamente-masculinas-no-rs.ghtml


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